Maravilhas & Pesadelos de Braga - 2007

APRESENTAÇÃO

REGULAMENTO

VOTAÇÃO

   

 

Maravilhas

M1-Bom Jesus do Monte M2-Câmara Municipal M3-Campo Novo M4-Capela de S. Frutuoso M5-Capela de Sta. Maria Madalena
Séc. XV-XX. André Soares, Carlos Amarante e outros. O mais complexo sacromonte da orbe católica. Modelo para muitos outros em Portugal, Espanha, Brasil… Um oásis de verdura na aridez bracarenses. Um casamento perfeito entre a arte do homem e a natureza. 1754-1756 (construção, André Soares); 1859-1864 (conclusão) - De uma profunda serenidade, a fachada deste edifício parece querer apontar o caminho a quem nela trabalha (os vereadores) para fazerem uma gestão sábia da “coisa pública”, contida, amplamente participada e aberta, tão aberta quanto o imenso espaço de janelas que preenche toda a fachada e tão límpida quanto o branco que preenche os espaços entre as molduras de granito das janelas e porta. 1720 – A beleza muito contida de uma das primeiras urbanizações portuguesas cuja arquitectura simples foi muito bem complementada com uma fonte, apesar de 50 anos mais tardia. Um exemplo que nunca mais foi seguido na cidade de Braga, sobretudo nas urbanizações dos últimos 30 anos. Classificada como Monumento Nacional, foi mandada erguer pelo bispo S. Frutuoso de Dume, no terceiro quartel do século VII, com planta em 
forma de cruz grega, constituindo o mais importante testemunho da 
arquitectura pré-românica em Portugal.
1680, 1753 (André Soares, fachada e escadório), década de 1760 (André Soares, retábulos) - A invenção e a monumentalidade ao mais alto nível de criatividade. Nesta capela nada é plano, nem a planta. É notável a sequência de aberturas do eixo central, desde a porta ao frontão. Mas a imaginação atinge o absurdo com as torres da fachada que, por incrível que possa parecer, são maciças, falsas.
         
M6-Casa dos Ferrazes M7-Casa e Capela dos Coimbras M8-Conjunto arquitectónico do Largo do Paço (Largo do Paço, Ala Medieval e edifício da Biblioteca Pública de Braga) M9-Estádio 1º Maio M10-Estádio Municipal de Braga
Cª 1904 - No centro da cidade, o insólito de uma belíssima casa de “fazenda brasileira” rodeada por um amplo jardim e um pequeno coreto de ressonâncias orientais. Ou seja, o ecletismo em todo o seu esplendor. Classificada como Monumento Nacional, a capela é uma apreciável obra quinhentista em forma de torre ameada, com uma graciosa galilé de 
estilo gótico e ricas esculturas em pedra ançã. Na casa, salientam-se as formosas e invulgares janelas em estilo manuelino.
Séc. XIV-XX (restauro) - O mais complexo monumento civil da cidade. O Largo do Paço, ornado com a sua bela fonte, é mais um espaço interior que público, o que mostra a projecção deste edifício para além das suas paredes-mestras. Recebeu um profundo restauro no século passado. Mais do que o monumental reconhecimento do Estado Novo à cidade de Braga (1950) pelo papel reaccionário que teve em 28 de Maio de 1926, ao despoletar o fim da decadente República, é bem a expressão hiperclássica de um estádio pétreo (granito) austero, adossado à colina verdejante, a impor um tipo orgulho dominador da Polis, todavia, público." Afinal não é um estádio, é um plateau (para as vaidades). O futebol também já não é o que era. Fica-se com aquela coisa sem se saber bem para quê, mais a factura para memória futura. Do ponto de vista da dívida é já património consagrado, porque ninguém se vai esquecer dele enquanto não for pago. E isso…
         
M11-Fonte do Ídolo M12-Hospital de S. Marcos M13-Igreja de S. Vicente M14-Igreja dos Congregados M15-Jardim de Sta. Bárbara
Finalmente devolvida à cidade e a todos quantos a procuram por obra e graça do IPPAR. Memória singular de Bracara Augusta é um enigmático monumento rupestre, provavelmente um santuário privado do séc. I, consagrado a uma divindade aquática (Nábia) pelo proprietário da domus em que se integrava (criminosamente destruída nos anos 80 com o silêncio cúmplice da C. M. Braga), cujo nome, Celico Fronto se encontra gravado na rocha. Classificado como Monumento Nacional, trata-se de um harmonioso 
edifício, dos finais do Séc. XVIII, que constitui uma das principais 
obras do arquitecto bracarense Carlos Amarante.
1686 (Pascoal Fernandes ?), 1721 (Manuel Fernandes da Silva, frontão da fachada) - Única igreja bracarense com fachada em forma de retábulo, é notável pela decoração da sua fachada e por ter sido a primeira a ter colocada a torre sineira nas traseiras. O interior está recheado de excelentes talhas barrocas e rococó, algumas desenhadas por Carlos Amarante, ainda jovem. Séc. XVIII (Manuel Fernandes da Silva, interior; André Soares, Capela dos Monges e fachada) - No tempo do tardo barroco, a fachada (1761-1767) é de uma ousadia incrível ao negar o claro-escuro e ao assumir apenas a cor da pedra, transformando-se quase numa abstracção. Tão notável é a pequeníssima capela dos Monges, o mais fantasioso e monumental templo português, obra-prima do barroco mundial. Devendo o nome à estátua que encima a sua fonte central, este jardim combina o formalismo do desenho com a delicadeza das flores e plantas que vão cambiando ao longo do ano. Numa cidade com manifesta falta de espaços verdes, é um pequeno oásis de paz com um revigorante jogo de cores e aromas no coração da urbe.
         
M16-Mosteiro de Tibães M17-Palácio do Raio M18-Palácio dos Biscaínhos M19-Sé M20-Sete Fontes
Séc. XVII-XXI (restauro) - Casa-mãe dos beneditinos portugueses. Sede do mais espectacular conjunto de talha rococó nacional, concebido por André Soares e executado por Frei José Vilaça. Mas Tibães é ainda uma cerca imensa, arquitecturas serenas (claustros e celas), e o mais sábio e complexo restauro executado num monumento português. 1755?, André Soares - Casa de um homem recém enobrecido que, escolhendo o arquitecto do Senhor de Braga, parece ter querido agradar-lhe. E, como os tempos já eram outros, e o desejo de mostrar também era muito grande, há uma explosão fantástica de ornatos, linhas curvas e contra curvadas, que tornam esta belíssima fachada numa das mais espantosas obras da arquitectura civil portuguesa. 1715, Manuel Fernandes da Silva
No século de ouro bracarense, o poderoso deão da Sé mandou refazer todo o seu palácio e deu-lhe a feição actual. O Museu que hoje alberga e recebe o seu nome, mostra-nos como poderia ter sido uma casa nobre bracarense daquela época. Notável é o programa do jardim / parque, dos mais belos do nosso país.
Séc. XII-XX (restauro) - Daqui também nasceu Portugal porque os arcebispos de Braga foram o braço direito de D. Afonso Henriques e seus sucessores. Ao longo dos séculos foi acumulando obras, algumas tão belas como o túmulo de D. Gonçalo Pereira (séc. XIV), o tecto da capela-mor (João de Castilho, 1509), a sacristia (João Antunes, 1690)… Um intenso restauro (1929-1960) tentou harmonizar todas estas diferentes marcas. Exemplo raro da hidráulica setecentista, que garantia o abastecimento de água a Braga. minas de água, galerias subterrâneas, condutas em pedra e estruturas edificadas ostentando pedras de armas e elementos decorativos barrocos. Apesar de classificado como Monumento Nacional, a sua conservação integral encontra-se ameaçada pela boçalidade autárquica e pela ganância de especuladores imobiliários.
         
M21-Termas Romanas da Cividade        
Classificadas como Monumento Nacional, estas importantes ruínas 
conservam visíveis as várias dependências funcionais de um grande 
edifício público romano com funções de balneário, datável do século I, 
pelo que são um valioso testemunho da história bi-milenar da cidade de 
Braga.
       
         

 

Pesadelos

P1-Bairro Social da Quinta de Sta. Maria (Maximinos) P2-Bomba de gasolina em frente ao Colégio de S. Caetano (Maximinos) P3-Campo da Vinha - arranjo urbanístico e novos edifícios P4-Campus da Universidade do Minho P5-Centro Comercial Galécia
Um dos mais acabados exemplos de inaceitável degradação habitacional, 
incúria e intolerável exclusão social dentro do perímetro urbano da 
cidade de Braga.
Quando por todo o lado se afastam as bombas de gasolina das habitações, por causa da poluição do ar, das infiltrações e do risco de explosão ou incêndio, esta bomba permanece em frente a uma instituição que todos os dias acolhe inúmeras crianças. Denominado de largo da “tralha”, desde as últimas obras de aviltamento, o Campo, que em tempos foi da Vinha (primeiro quartel do século XVI), dádiva de D. Diogo de Sousa e espaço de grandes eventos histórico, hoje ameaça mais adicionar mais um, o paradigma donde se ensaiou aquela que promete ser a histórica saga da “bragaparques” que quanto desbravou o subsolo deste País. A qualidade arquitectónica (excepto a das primeiras construções), a a organização dos espaços e os arranjos exteriores merecem nota positiva. Porém o problema das acessibilidades e a enorme dificuldade do estacionamento tornam-na um lugar pouco apetecível, que a envolvente urbana (como foi possível?) acentua. E não se sabe ainda o que vai acontecer com a quinta dos Peões, que a incúria e a falta de visão estratégica permitiram ficasse em mãos indesejáveis. Negativo igualmente o isolamento em relação à cidade. Uma oportunidade perdida, mas ainda recuperável. Um centro comercial dos muitos que cresceram nos anos 80, inestético, mal planeado e mal construído, e que não consegue um mínimo de viabilidade. Parece que há lá um auditório municipal... praticamente sem utilização.
         
P6-Centro Comercial Santa Cruz P7-Condomínio do Monte de Guadalupe P8-Edifício dos Granjinhos P9-Estádio Municipal de Braga P10-Estado do Rio Este
Imóvel numa zona histórica dominada por monumentos marcantes, como é o caso do Hospital de São Marcos, e que formam um espaço urbanístico com valor histórico. A volumetria não é excessiva, mas a fachada e a degradação a que chegou, ao cabo de mais de uma vintena de anos, torna-o um elemento impróprio em si mesmo, desiquilibrador e anómalo em todo o conjunto onde se insere. Quem subia pela avenida 31 de Janeiro ao aproximar-se do Largo da Senhora-a-Branca não precisava de levantar muito a cabeça para deparar com um edifício do qual se destacava uma torre. Era o “castelo”, situado ao lado do tempo de Nossa Senhora de Guadalupe e exemplar raro da arquitectura “brasileira” que proliferou pelo Entre-Douro-e-Minho a partir de meados do séc. XIX. Foi demolido e no seu lugar ergue-se uma estrutura maciça, longilínea a parecer um shopping, mas na verdade um condomínio (mais um..., em cidade com parque habitacional excessivo face à procura) de luxo. Caso flagrante de mau gosto e de inaceitável substituição do antigo pelo novo... Edíficio de gosto muito duvidoso, com acessos perigosos, fraca ocupação comercial e excessiva volumetria que teve implosão anunciada. Está implantado em zona arqueologicamente sensível e que deveria constituir área de protecção do Hospital de S. Marcos. Afinal não é um estádio, é um plateau (para as vaidades). O futebol também já não é o que era. Fica-se com aquela coisa sem se saber bem para quê, mais a factura para memória futura. Do ponto de vista da dívida é já património consagrado, porque ninguém se vai esquecer dele enquanto não for pago. E isso… A realidade: um esgoto - encanado, emparedado e sujo; o leito e as margens reduzidos ao mínimo; a pouca área sobrante mal tratada e crescentemente tomada pelo betão, apesar dos riscos conhecidos. A alternativa imaginável: um veio de vida na cidade; um grande corredor verde; um espaço votado ao lazer e à qualidade ambiental ao longo do seu curso urbano com benefício para todas as zonas que o rio atravessa.
         
P11-Estátua de Santos da Cunha e viaduto P12-Largo dos Penedos P13-Nova urbanização do Cemitério P14-Novo Theatro Circo P15-Parques de estacionamento da Bragaparques no centro
Exemplo flagrante e chocante do estilo de organização urbanística tão característico da Câmara Municipal de Braga presidida pelo Eng.º Mesquita Machado: primeiro coloca-se uma estátua numa rotunda, depois é forçoso naquele sítio (antes da colocação da estátua já se era previsível o seu potencial viário) erguer um viaduto a passar quase rente ao rosto da mesma a fim de que os automobilistas possam ver de perto ou dirigir-se tu cá tu lá ao antecessor do edil bracarense e destacado apoiante do Estado Novo. Caricato e surrealista... Nasceu no cruzamento natural de quatro ruas extramuros da cidade (a dos Chãos, a do Carvalhal, a de Santo André e a de São Vicente) e, após a intervenção imobiliária (condicionadora, como sempre na Braga actual, do arranjo urbanístico) ocorrida há duas décadas atrás, foi aberta uma passagem para a rua da Escoura e o Largo, alem das alterações desadequadas de volumetria, ficou uma encruzilhada de ruas terceiro ou quarto-mundista... Quando se pensava que um mínimo de sentimentos para com a solidão melancólica de "la terra consolata", sugerindo o ambiente onde se faz o embarque perpétuo "n'elle eterno dolore", deparamos com o caos urbano: ruas desalinhadas, prédios de preços para parolo e lojas de parolos de preços, rotundas para estátuas de cónegos e poeira de estaleiro no ar. De facto, é de morrer. Sim porque o antigo (1915) só vive na memória daqueles que o conheceram. O de agora será talvez até melhor, mais lustroso, também mais untuoso. Parcialmente cego, porque quem se ofusca com o brilho, não vê que com o mesmo dinheiro recuperava-se o anterior com alma e construía-se um novo com garra. Ao contrário das principais cidades europeias, Braga cria parques que
chamam automóveis para o centro da cidade, em negócios duvidosos com a agora famosa Bragaparques, que se traduziram, não numa comum concessão, mas na alienação do próprio subsolo.
         
P16-Podas municipais P17-Sameiro – basílica, cripta e arranjo exterior P18-Transformação do Palacete Matos Graça P19-Urbanização da envolvente do Feira Nova P20-Urbanização de Lamaçães (entre a Makro e o Rio Este)
A mutilação das árvores da cidade, através de podas indiscriminadas,
tecnicamente erradas e feitas fora de época, que provoca o seu apodrecimento e constitui um atentado estético.
Sameiro - Recriação local do matricial culto e devoção popular à Virgem, de raízes profundas e indeléveis nos altos do nosso Minho, este espaço profundamente espiritual, desde a sua origem (finais do séc. XIX), disputa um braço de ferro com intervenções arquitectónicas e pictóricas de gosto duvidoso e de traçado mundano-materialista. Um local de oração e contemplação face ao divino exige naturalmente equilíbrio e respeito pela majestática e soberana presença do
Santuário.
Também conhecido por Palacete de Rocha Vellozo, e antigo Centro de Saúde da Srª-a-Branca, este espaço nobre de assinalável qualidade arquitectónica (nomeadamente os seus estuques e madeiras) foi destruído para dar lugar a mais um prédio, apenas se tendo preservado parte da fachada.
 
Da fealdade dos prédios mais antigos em frente ao hipermercado à desoladora torre verde a sul, da densidade hiper-excessiva de prédios a norte ao carácter opressivo do parque de estacionamento, tudo contribui para tornar esta zona num dos macro-pesadelos da cidade que as autoridades municipais continuam a autorizar que se torne ainda mais negro com mais e mais construções. Sendo um dos muitos exemplos daquilo em que pode resultar a ganância imobiliária aliada à incúria municipal na construção do espaço urbano, este caso é particularmente grave pelo facto de se tratar de uma zona construída de raiz já nos anos noventa. A concentração de prédios, a sua volumetria e a falta de estacionamento concorrem, entre outros problemas, para um péssimo legado que marcará negativamente a vida de muitas gerações de habitantes.
         
P21-Via rápida entre Carrefour, Feira Nova e a Estação da CP        
Atravessando várias áreas residenciais da cidade, esta estrada de várias faixas de rodagem cria entre elas um fosso que praticamente inviabiliza a mobilidade não-automóvel. Não está em causa a função viária que serve mas sim a sua localização, o modo como se permitiu a construção à sua volta e todos os horrendos remendos que se lhe foram adicionando: as travessias aéreas, as barreiras metálicas laterais, as grades de separação central.